sábado, 17 de abril de 2010

Clássico


Nada melhor do que um domingo de clássico. Não tem como não notar, a cidade fica diferente, dá para sacar um tempero especial no ar. Basta sair às ruas e presenciar que até os costumes se modificam. Sabe aquele tradicional churrasco de domingo? Abandona a churrasqueira da garagem e instala-se na calçada. Tudo estrategicamente planejado para quando o vizinho rival passar e levar uma zoada. E o ônibus? O ônibus muda. Bem diferente do latão dos dias de trabalho, que o pessoal fica lá sozinho, com sono. Ônibus em dia de clássico é diferente. Todo mundo tem que cantar o grito de guerra do time. Mesmo apertado e espremido tem que gritar. Se não gritar, sempre tem um camarada lá no fundão para delatar. E na arquibancada quando o árbitro apita o início da partida? É a hora de lembrar do homem lá de cima. Sinal da cruz e a última oração. Bola rolando é sufoco pra cá, sufoco pra lá, mãe do árbitro pra cá, mãe do bandeirinha pra lá e tensão. Até o sagrado momento em que a danada da redondinha resolve cruzar a tão temida linha branca que o arqueiro tanto preserva. Aí não tem mais como segurar. É bola na rede. É vibração. Sabe o chato aquele dos palpites furados? Vira irmão. Explosão de alegria. Depois é sofrimento. Sofrimento da virada. Sofrimento de segurar o placar. De um lado, o tempo não passa. De outro, o tempo voa. Angustia e aflição para ambos. No último sopro da autoridade suprema das quatro linhas, o alívio. Final de clássico. Fim de festa. Pelo menos uma segunda-feira diferente, com um tempero especial de domingo. Para um lado, é claro.

Texto e fotos Ricardo Duarte

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